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Já se sentiu uma fraude?

Por Renata R. Corrêa

Saiba o que é a Síndrome do Impostor e como evitar que isso te prejudique.

“De acordo com uma pesquisa da Universidade Dominicana da Califórnia, aproximadamente 70% das pessoas se sentem uma fraude no ambiente de trabalho pelo menos uma vez na vida.”

Em algum momento da sua carreira profissional, você já se sentiu como uma fraude? Ou como se o que tivesse alcançado fosse muito além do que merecia?

A síndrome do impostor, também chamada de pessimismo defensivo, é uma desordem psicológica que, apesar de não ser classificada como doença, é bastante estudada. O termo foi usado pela primeira vez em 1978 pelas psicólogas canadenses Pauline Clance e Suzanne Imes. A condição é definida pelas pesquisadoras como uma experiência individual baseada em uma autopercepção de falsidade intelectual.

De acordo com uma pesquisa da Universidade Dominicana da Califórnia, aproximadamente 70% das pessoas se sentem uma fraude no ambiente de trabalho pelo menos uma vez na vida.

“A síndrome do impostor costuma acontecer quando alguém deseja muito algo, se esforça para isso, mas ao conquistar seus objetivos, não se julga suficientemente digno.”

A síndrome do impostor costuma acontecer quando alguém deseja muito algo, se esforça para isso, mas, ao conquistar seus objetivos, não se julga suficientemente digno ou mesmo capaz de reproduzir o que já conseguiu. Quem sofre do transtorno sente que não pertence ao lugar que ocupa e que não merece estar ali.

“É uma desordem psicológica que apesar de não ser classificada como doença, é bastante estudada.”

A pessoa começa a se questionar se é verdadeiramente boa no que faz, e isso pode ser bastante prejudicial tanto para a manutenção do desempenho laborativo quanto para a saúde mental. Casos mais sérios podem ser oriundos de traumas passados e merecem atenção e ajuda profissional de um psicólogo ou uma psicóloga.

Para mantermos o equilíbrio emocional, é importante respeitarmos os limites que nosso corpo e mente nos impõem durante as rotinas de trabalho. Muitas vezes ignoramos os sinais de exaustão e nos forçamos ir além do suportável, mas podemos acabar inseguras(os) ou até mesmo doentes.

“Para mantermos o equilíbrio emocional é importante respeitarmos os limites que nosso corpo e mente nos impõe durante as rotinas de trabalho.”

A síndrome do impostor é muito comum em profissões competitivas, como no caso de atletas e artistas, e também nas áreas da saúde e do ensino. O excesso de pressão externa ou autoimposta pode levar a baixa autoestima, transtornos de ansiedade, depressão e Burnout.

Os gatilhos para desenvolver ou agravar a síndrome podem estar relacionados com a timidez, questões vindas desde a infância, dentre outros fatores, e variam de pessoa para pessoa. Apesar de ser mais comum em algumas profissões, podem acometer qualquer indivíduo, independente de classe, gênero, orientação sexual ou faixa etária. A síndrome do impostor está presente no cotidiano de milhares de pessoas.

5 Sinais de que você pode estar sofrendo desse transtorno:

Necessidade de se esforçar mais e de querer agradar a todos. As pessoas com síndrome do impostor sentem que necessitam se esforçar muito mais que as outras para fundamentar suas conquistas. O perfeccionismo e o excesso de trabalho são utilizados para ajudar a justificar o desempenho, mas gera muita ansiedade e esgotamento. Tentar causar boa impressão, se esforçar no carisma e a precisar agradar a todos, a todo o momento, são formas de buscar alcançar aprovação, e para isso podem até mesmo se sujeitar a situações humilhantes.

Pessoas com essa síndrome acreditam que o fracasso é inevitável e que a qualquer momento podem ser desmascaradas por alguém mais experiente. Podem se esforçar menos quando começam a obter êxito em seus objetivos, acreditando que nada dará certo mesmo.

Procrastinação. Essas pessoas podem estar sempre adiando uma tarefa ou deixando compromissos importantes para a última hora. Também é comum levar o máximo de tempo para cumprir obrigações, e tudo isso é feito com o objetivo de evitar o momento de serem avaliadas ou criticadas pelo que fazem.

Medo de se expor e autocrítica excessiva. É comum que as pessoas com a síndrome do impostor estejam sempre fugindo de momentos em que podem ser avaliadas. Além disso, têm uma tendência a serem muito críticas consigo mesmas e céticas, o que as leva a não acreditarem nos elogios que recebem.

Comparação com os outros. Serem perfeccionistas e estarem sempre achando que são inferiores ou sabem menos que os outros, a ponto de tirar todo o mérito próprio, são algumas das principais características dessa síndrome.

Pode acontecer de os indivíduos acharem que nunca são bons o suficiente em relação aos outros, o que gera muita angústia e insatisfação. É quase regra que só consigam encontrar boas características nos outros e nunca em si próprios. Isso, sem dúvidas, os coloca numa corrida sem fim em direção a um ideal de perfeição que não condiz com a realidade de ninguém.

Como evitar o problema? Caso tenha se identificado com o exposto no texto, a orientação é procurar um psicoterapeuta. Um profissional poderá ajudar quem estiver sofrendo com este transtorno a identificar suas capacidades e competências e se livrar das inseguranças. Algumas atitudes também são importantes e valiosas para controlar os sintomas e escapar da síndrome do impostor e de suas consequências negativas, como: respeitar as próprias limitações; ter um mentor com quem se aconselhar e um amigo ou amiga em quem possa confiar e compartilhar as angústias; ser menos exigente e mais gentil consigo mesma(o); aceitar que falhas existem e que ninguém é perfeito, mas mesmo assim merece ser bem-sucedido; investir em autoconhecimento e desenvolvimento pessoal; cultivar pensamentos positivos e evitar se comparar com os outros.

Cuide-se, aprenda a valorizar suas conquistas e seja feliz!

Beijos e até a semana que vem!

Fontes de pesquisa: 
https://www.tuasaude.com/sindrome-do-impostor/
https://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/2021/08/23/sindrome-do-impostor-o-que-e-e-como-pode-atrapalhar-sua-carreira.htm
https://www.unimedcampinas.com.br/medicina-preventiva/saude-emocional/entenda-o-que-e-sindrome-do-impostor-e-como-escapar

Matéria de Renata R Corrêa  para a coluna Mulheres Reais

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